Comunidades

 

Conheça um pouco mais das comunidades paraibanas envolvidas no projeto Museu do Patrimônio Vivo

 
Paratibe

No litoral sul de João Pessoa, banhada pelos rios do Padre e do Cuiá, encontra-se o quilombo de Paratibe. Território de resistência negra, a comunidade foi devidamente reconhecida pela Fundação Palmares em 2006. Tradicionalmente rural, com a paisagem repleta de construções em taipa no passado recente, o bairro foi sofrendo com o processo de urbanização pessoense.

 

Os conflitos locais gerados pela onda de especulação imobiliária intensificada na última década provocaram um forte sentimento de pertecimento ao lugar onde vivem. Muitos dos conhecimentos da comunidade estão relacionados às atividades pesqueiras que fazem parte do dia a dia de Paratibe. Os rios da comunidade são habitados pelo pai do mangue, entidade protetora da natureza e dos bons pescadores.

 

 

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Gurugi-Ipiranga

Diante dos conflitos fundiários, grupos de Paratibe se organizaram positivamente em torno da identidade cultural local, revivendo tradições ancestrais como o coco de roda, o maculelê, a capoeira e a ciranda.

Localizadas no município do Conde, litoral sul da Paraíba, Gurugi e Ipiranga se constituem como comunidades quilombolas com certidão emitida pela Fundação Palmares em 2006 após muitos anos de lutas pela garantia do direito à posse das terras tradicionalmente ocupadas. A identidade local é multifacetada e é comum a convivência de afirmações em defesa de tradições indígenas e afrodescendentes.

 

Os moradores de Gurugi e Ipiranga se orgulham das belezas naturais da localidade, convivendo respeitosamente com uma extensa área de mata atlântica, rios de águas limpas e árvores centenárias.

Em constante processo de rememoração e atualização da identidade quilombola, grupos locais se organizam para brincar coco de roda e jogar capoeira.

 

Também não é difícil ouvir uma grande diversidade de ritmos, onde se destacam o bandolim da lapinha e o corte do facão do maculelê

 

 

 

Rangel

 

Entre o Jardim Botânico e o Rio Jaguaribe, na zona oeste da cidade de João Pessoa, encontramos o bairro do Rangel, área urbana de relevo acentuado atravessada por ladeiras como a famosa “ladeira do Rangel”. Nascido de um sítio rural, o Rangel atualmente é um lugar de rica diversidade de memórias e atividades desenvolvidas por grupos e famílias de moradores.

 

O bairro apresenta muitos marcos referenciais onde a população pode vivenciar coletivamente momentos de lazer a exemplo da Praça da Amizade, do Mercado e do entorno da Capelinha de Belém. São esses os espaços preferidos para a organização de práticas esportivas como manobras de skate e de diferentes formas de expressão como capoeira, cirandas e cocos de roda.

 

No carnaval, o bairro é contagiado por agremiações que rememoram apresentações de rua como as Tribos Indígenas, Orquestras de Frevo e as célebres Alas Ursas (Urso Panda, Urso Amigo Batucada, Urso Canibal e Uso Polar).

 

Muitos lugares sagrados pontilham o chão do Rangel, havendo convivência de terreiros de religiões de matriz africana com cultos populares católicos.

 
Vale do Gramame

 

O Vale do Gramame abrange comunidades rurais, urbanas e quilombola, com uma população aproximadamente de 20 mil habitantes, situada numa área periférica da cidade de João Pessoa. O Vale se constitui basicamente em ocupações de posseiros consolidadas há muitas décadas, situada às margens do rio Gramame. É formado pelas comunidades de Engenho Velho, Gramame e Ponta de Gramame, em João Pessoa, e Mituaçu, comunidade quilombola do município de Conde.

 

Dentre as expressões culturais existentes no Vale do Gramame, podemos destacar o Coco de Roda, a Ciranda, a Capoeira, a Poesia Popular, a Lapinha, a Quadrilha Junina, a Pesca, o Forró de Pé-de-Serra, o Artesanato, as Brincadeiras Infantis, o cultivo e o manuseio de Ervas Medicinais, além de muitas Narrativas lendárias. Em toda sua área ambiental destacam-se o Rio Gramame, o Rio Jacoca, as cacimbas, a Estrada Velha para Recife e a Ponte dos Arcos que divide os Municípios João Pessoa e Conde e toda sua área de Mata Atlântica.

 

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Roger

O Roger é uma das áreas de ocupação mais antiga da cidade de João Pessoa. Localiza-se em área central e apresenta relevo acentuado com muitas ladeiras e a famosa comunidade do “s”, onde se localizava o antigo “Lixão” do Roger. Tendo nascido de engenho e sítio rural, o bairro é dividido socialmente. Na parte alta vivem profissionais liberais, grandes comerciantes e funcionários públicos. Na baixa, habitam pequenos comerciantes, domésticas e catadores.

 

A divisão social abriga uma diversidade cultural também histórica. Pontilhado de terreiros de matrizes religiosas como Jurema, Umbanda e Candomblé, e de muitas celebrações católicas, o Roger é lugar de santo.

 

A sacralidade dos cultos e santuários da comunidade também dá espaço às animadas festas e aos tradicionais grupos carnavalescos, onde se destacam os Ursos como “Gavião” e “Sem Lenço e Sem Documento”.

Lugar de santo, de festas sagradas e profanas, de Escolas de Samba, de Quadrilhas Juninas e de Grupo de Capoeira, constituindo a paisagem cultural de jogos de pernas no ar, berimbaus e tambores de mestres, contramestres e aprendizes que respiram o dia a dia da tradição.

 

Penha

A Penha é um bairro praieiro, localizado no município de João Pessoa, tendo como limites o rio do Cabelo, ao norte, e o riacho de Jacarapé, ao sul. Nascida de promessa de marinheiros portugueses perdidos no mar nas proximidades da costa paraibana a Nossa Senhora da Penha, a comunidade vive das tradições pesqueiras.

 

A principal edificação da localidade é a Capela de Nossa Senhora da Penha, que detém um dos maiores acervos de objetos (ex-votos) deixados por romeiros na Paraíba. A área do santuário é tombada e protegida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba – Iphaep.

 

Formada por pequenos grupos de familiares e amigos, na Penha todos são vizinhos e conhecidos.

 

Todos os anos o santuário recebe com muita fé e emoção a famosa Romaria da Penha, uma caminhada de quatorze quilômetros que sai da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, no centro de João Pessoa, em direção à Capela da Penha.

 
Porto do Capim

Banhada pelas águas do rio Sanhauá, na descida do Varadouro, vive a comunidade do Porto do Capim. Formada após a desativação do que seria o principal porto da cidade, trata-se de gente simples, acolhedora e com muitas histórias para contar.

 

Mesmo diante das constantes ameaças de remoção do território onde tradicionalmente moram há setenta anos, o povo do Porto é festeiro. No carnaval, o Ala Ursa anima a criançada. No período junino, as ruas se enchem de fogueiras, as pessoas se enfeitam, quadrilhas se apresentam e o morador Valente desafia todos com sua sanfona a dançar um forró arretado. 

 

Dia 8 de dezembro, todos os anos em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, moradores e visitantes se reúnem em frente à Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, descem a ladeira para o Porto do Capim, com adornos, flores, velas e cantos e do velho atracadouro seguem em procissão, de barco rio adentro, para a Ilha da Santa. Ouve-se o barulho de fogos e, por vários cantos do centro da cidade, sabe-se que aquele povo está em festa.

 

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Lucena

Lucena se destaca pela rica diversidade cultural presente na memória e nas atividades cotidianas de seus moradores. Os moradores do centro estabelecem vínculos uns com os outros, formando redes de laços familiares e de amizade onde “todos se conhecem”.

 

Alguns grupos locais se organizam para brincar coco de roda e pescadores rememoram, em certos momentos do ano, a tradição dos cambindas brilhantes. Muitos moradores são pescadores ou filhos de pescadores. A pesca artesanal é uma atividade muito presente no centro de Lucena, constituindo uma paisagem cultural de embarcações, caiçaras, apetrechos e ferramentas desses trabalhadores do mar. Já na comunidade de Carrapeta, zona urbana do município de Lucena, muitos moradores do bairro vivem das atividades pesqueiras.

 

O trabalho da pesca começa bem cedinho, ainda de madrugada, a fim de aproveitar as primeiras horas da maré vazante. Nos sábado, os pescadores que não têm rede se reúnem na casa do “mestre”, o dono dos instrumentos de pesca, para receberem o pagamento da semana e garantirem o sustento da família. Carrapeta guarda na memória de seus moradores outros conhecimentos importantes para a identidade local como as lavagens de roupa, as brincadeiras de coco de roda e a arte da construção em taipa.

Cabedelo

A área central do município de Cabedelo constitui um lugar de grande concentração de diversidade de memórias e conhecimentos de moradores, comerciantes e grupos culturais. A paisagem pesqueira, portuária e industrial é embelezada pela Fortaleza de Santa Catarina, antiga edificação militar que ilustra a memória das lutas pelo território brasileiro em épocas coloniais. No entorno da imponente Fortaleza, crianças jogam futebol formando travinhas com pedras e sandálias havaianas.

 

Monte Castelo também se situa em Cabedelo, município de tradições pesqueiras da grande João Pessoa. O bairro não foge à regra e abriga memórias e atividades dos trabalhadores do mar. O antigo bairro já foi coberto de imensos coqueirais e dunas de areias brancas, paisagem iluminada em noites de lua cheia, mas que sofreu mudanças significativas nas últimas décadas.

 

Grupos de familiares e de amigos ainda se organizavam para brincar coco de roda, lapinha, ciranda e outras formas de expressão locais. A memória dos moradores também guarda os conhecimentos de transformação dos restos dos cocos e matérias-primas da região em obras de arte.

Hoje, a principal fonte de resistência dessas tradições populares é o chamado “coco do Mestre Benedito, organizado por Dona Teca que procura juntar crianças e jovens para transmitir saberes importantes para a identidade cultural da comunidade, sendo uma importantíssima referência em toda a Paraíba.

 
Alto do Mateus

O Alto do Mateus é um bairro que fica localizado na Zona Oeste de João Pessoa, Paraíba. Limita-se ao norte e oeste com o município de Bayeux e o Rio Sanhauá, ao sul se limita com o Bairro dos Novais e a leste com a Ilha do bispo.

Os primeiros habitantes do bairro foram os moradores da Beira da Linha que chegaram por volta de 1957, para trabalharem na recuperação da rede ferroviária. O bairro era um sítio de propriedade do Sr. Mateus Ribeiro. O sítio ficava na parte mais elevada da região, recebendo por isso o nome Alto do Mateus.

No bairro há grande presença de grupos que se organizam em torno dos conhecimentos relacionados às matrizes do forró. Mas encontramos também outros tipos de manifestações culturais como, orquestra de frevo, capoeira, repentistas e terreiros, além das práticas culturais relativas aos saberes do ofício de marceneiro.

Mandacaru

Mandacaru é um bairro muito antigo, localizado na zona norte da Capital João Pessoa, com uma população de aproximadamente 12.776 habitantes, divididas em varias pequenas zonas, dentre elas estão Porto de João Tota, Alto do Céu, Beira Molhada, Beira da Linha, Jardim Mangueira e Cinco Bocas. Circundadas por longas áreas de mata e manguezal.

 

Caracterizado pela profusão de manifestações culturais e religiosas o referido bairro, comporta expressões de cunho religioso e profano, exemplo: Tribos Indígenas, Escola de Samba, Lapinha, Ciranda, Ala Ursas e Quadrilhas Juninas, além de muitas outras. Representadas por Mestres residentes ou não nessa localidade. Nesse sentido, podemos citar Caboreto, Tonho Aleijado, João da Baleia, Seu Cascudo, Seu Jerson, Zé Moura já falecido, que passou o legado para sua filha Neide. 

Estas e outras tantas pessoas desenvolvem atividades que promovem a cultura ancestral dando continuidade aos saberes tão importantes em comunidades tradicionais.

 

A vida religiosa do bairro também merece destaque, reconhecidamente importantes para a estrutura social de qualquer local são as manifestações religiosas que produzem para os que creem, ligações com o divino. Apresentam-se em Mandacaru os três tipos de ramificações religiosas mais conhecidas, o catolicismo (com Igrejas e Capelas), o protestantismo (Igrejas e Templos) e os cultos de matriz africana (Candomblé, Jurema e Umbanda).

Santa Rita

Santa Rita é um município riquíssimo em expressões culturais. Enquanto a Lapinha, os grupos carnavalescos e o Pastoril fazem parte da memória do bairro, a popular Procissão de Santa Rita de Cássia, as pechinchas e os sabores da feira livre trazem uma dinâmica bem especial à cidade, cujo desenvolvimento urbano é enriquecido cotidianamente por diversas formas de expressão, celebrações, lugares e saberes presentes na memória e nas atividades de moradores e comerciantes locais. O coco de Seu Jove, de Forte Velho, é uma das expressões marcantes do município. Santa Rita também é a terra onde moram as emboladoras Lindalva e Terezinha.

 

Por sua vez, Tibiri é um bairro nascido da organização de um conjunto habitacional que recebeu famílias oriundas de diferentes regiões da Grande João Pessoa, sendo hoje um dos bairros mais importantes do município de Santa Rita. A expressão vem do tupi, “tibiry”, rio da sepultura, os índios da região, segundo relatos de moradores, nomeavam assim o rio que atravessa a localidade porque “era ruim de pesca”.

 

O bairro é rodeado por praças arborizadas, onde a população se reúne com seus filhos nos horários livres. Algumas “figuras populares” fazem parte da dinâmica local, a exemplo do doceiro que anda pelas ruas de Tibiri clamando “óoo o doce!” e empurrando seu carrinho de rodas de bicicleta.

 

Uma importante referência para a identidade de Tibiri é a Procissão de São Pedro e São Paulo. O que começou como uma novena hoje é um grande acontecimento da cidade, três dias de festa, levando grande público a homenagear seus santos e pagar promessas no dia 29 de junho.